Esse interessante filme belga até poderia ser confundido com uma refilmagem de Dia dos Namorados Macabro, mas a semelhança fica no fato de boa parte da história se desenrolar dentro de uma mina. O começo é instigante: no século XIX, vemos a caçada a Andrés Martiens, um assassino de crianças. Condenado numa época em que ainda havia a pena de morte na Holanda (onde se passa a trama), abolida em 1860, a ele é dada a opção: execução imediata ou trabalhar como um homem de fogo. Os homens de fogo eram condenados que, com uma tocha, adentravam as minas de carvão para explodir o gás nelas encontrado. Se sobrevivessem, seriam libertados.
Então a trama pula para a atualidade. A jovem Kristel (Victoria Koblenko) viaja com os amigos para buscar os pertences de seu recém falecido pai, que estava prestes a terminar um livro justamente sobre Andrés Martiens. Antes de voltarem, são convidados a visitar as minas objeto de estudo do pai de Kristel. Lá embaixo, o guia conta-lhes toda a história de Martiens, o último homem de fogo, cujo corpo nunca veio a ser encontrado - certamente, porque carbonizado. Claro, o estopim da trama propriamente dita vem a ser uma pane nos elevadores que os deixa presos naqueles túneis escuros. Na espera do guia que sai em busca de ajuda, o grupo faz uma mistura de álcool e drogas, sem dosar as consequências, ainda mais num ambiente escuro e claustrofóbico. Uma tábua ouija - para completar, alguns dos amigos de Kristel são vidrados em ocultismo - usada em tom de brincadeira desencadeará um inferno que nenhum deles esperaria.
Noite Macabra, lançado nos EUA como Slaughter Night, torna-se, a partir de então, um slasher com direito a possessões onde o vilão evocado Martiens pula de corpo em corpo (tal qual em Possuídos ou em Jason Vai Para o Inferno), não sem antes eliminar seu hospedeiro. Mas, a despeito de uma ou outra morte bastante gráfica e uma ou outra citação, voluntária ou não, a clássicos como, por exemplo, Evil Dead - A Morte do Demônio (as garotas sendo possuídas antes dos homens), o que incomoda é o fato da fotografia ser muito escura a maior parte do tempo. Ela até funciona bem na introdução, com os tons azulados auxiliando na criação da atmosfera lúgubre da floresta onde se dá a caçada noturna a Martiens. Mas quando acompanhamos Kristel e seus colegas fugindo/sendo possuídos, muitas vezes mal se vê o que está acontecendo. O interessante é que nos extras do DVD lançado pela Daylight no Brasil vemos um making of de imagens bem mais nítidas e num estágio de produção avançado. Ou seja, obviamente os diretores Frank Van Geloven e Edwin Wisser optaram por um escurecimento posterior da fotografia, no intuito de obter mais realismo - afinal, quase todo o filme se passa num ambiente naturalmente escuro, onde a luminosidade artificial realmente torna-se mero paliativo. Mas isso acaba prejudicando o entendimento do que se passa.
Afora isso, Noite Macabra tem uma boa resolução, uma motivação para os atos (do espectro) de Martiens que acaba bastante convincente. Alguns clichês à parte, é bom ver que países não tradicionais no gênero também conseguem fazer um terror de boa qualidade. No bom e desconhecido elenco, destaque para Kürt Rogiers, que participou de alguns filmes holandeses ou belgas de destaque como Nadine (2007), Happy Together (2008) e vários seriados locais.
